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Celular ou não celular eis a questão!

Durante a quarentena, é impossível elaborar uma aula sem que um celular, um tablet ou um computador se faça presente. Uma dessas ferramentas é sempre usada, seja para comunicação, para elaboração de atividades ou para a execução delas. Uma coisa é certa: as tecnologias digitais são uma realidade nas salas de aula atuais.

Esperamos que, em breve, as aulas presenciais sejam retomadas, e, então, o que será dessa ferramenta? O que faremos com ela? Deixaremos de lado? Mas ela foi tão útil e produtiva durante tantos meses! Então usaremos? Mas como?

Há algum tempo, o governo da França proibiu o uso de celulares em sala de aula. Um pouquinho antes disso, o então governador de São Paulo liberou e sugeriu esse mesmo uso. Quem estava certo? Como saber?


Vamos voltar um pouquinho no tempo...

Houve uma certa época em que a questão não era sobre o celular. Aliás, naquela época, ele nem existia. A questão era o uso ou não uso de calculadoras em sala de aula. Houve os que eram contra, com o argumento de que as crianças nunca aprenderiam a contar e a efetuar operações se só usassem a calculadora, e eles se tornariam dependentes dela.

O papel da calculadora é predominante na Matemática. Assim, pesquisadores em Educação Matemática se puseram a estudar meios de se trabalhar com ela e tentar resolver tal impasse. Uma das ideias era usá-la como um jogo, em que as calculadoras tinham um problema com a tecla do algarismo 6. Assim, os alunos tinham que realizar operações com números que envolviam esse algarismo, mas não poderiam usar essa tecla. Atividades como essa proporcionaram que inúmeras propriedades dos números, padrões e regularidades fossem observadas. Os alunos não somente aprenderam a efetuar operações, mas conseguiram fazer cálculo mental, reformular expressões para que ficassem mais simples e organizadas, extrapolar propriedades para situações mais complexas, dentre outras habilidades.


Também foram desenvolvidas atividades para os mais velhos, a partir das quais eles poderiam lidar com conceitos difíceis como exponenciais e logaritmos, e compreender o que eles significam e como são usados. Esses são somente dois pequenos exemplos do que pode ser feito com a calculadora. Assim, pode-se pensar que, talvez, exista um bom uso da calculadora em sala de aula afinal de contas...

Mas o que proporcionou esse tipo de utilização da calculadora, em que ela é uma ferramenta de aprendizagem, e não de efetuar cálculos sem reflexão? A atividade apresentada aos alunos! E como ela chegou aos alunos? Pelas mãos de um professor! Isso mesmo, nós, professores é que determinamos o uso de qualquer ferramenta em sala de aula.

Mas voltemos ao presente...

A justificativa de muitos dos que condenam o uso do celular é a de que os alunos serão distraídos pela ferramenta, aproveitando para mandar uma mensagem, ver uma postagem do amigo no Facebook ou no Instagram, dentre outras coisas.



Para que se use o celular em sala de aula, são imprescindíveis duas ações por parte do professor. A primeira é que ele ensine seus alunos a Educação Digital. É necessário ter uma conversa com eles para que haja o entendimento de que o celular em sala de aula é usado exclusivamente com intuitos pedagógicos. Em aula, ele só é usado da forma que o professor solicitar. A segunda é que o professor planeje cuidadosamente suas aulas com o celular. É preciso que a atividade planejada seja interessante para o aluno, que ele se engaje nela, que se divirta e, enquanto isso, aprenda! Se ele tomar para si a atividade e se engajar na construção de conhecimentos, ele não terá motivos para procurar outra distração no celular. Aliás, o fato de o professor utilizar o celular com seus alunos será um colaborador para que eles se interessem pela disciplina, pois ele se preocupou em fazer uso de elementos que são parte da vida dos alunos, e isso é fundamental para eles. É sempre bom lembrar que, quando o professor apresenta um aplicativo ou jogo de celular que o aluno goste, a aula continua fora da sala de aula, pois o aluno permanece jogando.

Vamos lembrar, também, que os nossos alunos devem ser preparados para profissões que nem existem atualmente, e que certamente envolverão tecnologias ainda mais avançadas do que as que nós temos hoje. Sem ajudá-los a utilizar ferramentas como o celular, não colaboraremos com isso. Além disso, a BNCC determina que o aluno desenvolva competências e habilidades para compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação. Como deixá-los sem celular em sala de aula e ainda assim proporcionar esse desenvolvimento? Essa sim é a questão!

Professor, ainda que você tenha dificuldades em trabalhar com o celular em sala de aula, busque conhecimento, entenda como fazer e faça dele seu aliado. Particularmente, na Matemática, há aplicativos que tornam descontraída e rica uma discussão que é maçante e trabalhosa no papel. Introduza aos poucos em sua rotina. Não se espera que o ensino seja feito exclusivamente com o celular a partir de agora. Espera-se que o ensino faça uso do celular! Os alunos conhecem melhor que você? Certamente! Vamos lembrar de outra publicação deste Blog (https://www.cenaed.com.br/post/nativos-digitais-e-metodologias-ativas) em que comentamos que eles são Nativos Digitais e nós não. Por isso, aproveite para aprender com eles e descubra como aproveitar ao máximo os benefícios do celular, do qual todos nós somos dependentes.

Aproveite para deixar seu recado, dúvidas, compartilhar experiências em nossos comentários.

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